IAS 16 Contabilização do Modelo de Reavaliação

Updated 4 July 2026 · Reviewed by IFRS Buddy Editorial Team

Como funciona o modelo de reavaliação para ativos imobilizados sob IAS 16?

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IAS 16 Contabilização do Modelo de Reavaliação — Regra Fundamental

O modelo de reavaliação permite que propriedades, plantas e equipamentos (PP&E) sejam mensurados pelo seu valor justo (fair value) na data de reavaliação, com ganhos registrados diretamente no patrimônio líquido (OCI) e perdas reconhecidas no resultado, sujeito a reversão de perdas anteriores (IAS 16.31 e IAS 16.39).

Como Funciona IAS 16 Contabilização do Modelo de Reavaliação

  • Escolha do modelo contábil: Após o reconhecimento inicial pelo custo, a entidade pode escolher entre o modelo do custo (custo menos depreciação acumulada) ou o modelo de reavaliação para cada classe de PP&E (IAS 16.29). A escolha é irrevogável para essa classe.
  • Frequência e mensuração da reavaliação: As reavaliações devem ser suficientemente frequentes para garantir que o valor contábil não se desvie materialmente do valor justo (IAS 16.31). O valor justo é determinado por referência a preços de mercado observáveis ou, na ausência, mediante avaliação profissional.
  • Registro do ganho de reavaliação: Quando um ativo é reavaliado com aumento, o ganho é creditado ao componente "Excedente de Reavaliação" dentro do Patrimônio Líquido (OCI) — IAS 16.39(a). Exceção: se a reavaliação reverter uma perda anterior do mesmo ativo (registrada em resultado), o ganho é reconhecido no resultado até ao limite dessa perda.
  • Registro da perda de reavaliação: Quando há diminuição do valor justo, a perda é reconhecida no resultado (P&L) — IAS 16.40, exceto se existir saldo positivo no Excedente de Reavaliação relativo a esse ativo, caso em que a perda reduz primeiro esse saldo, e apenas o excesso é reconhecido no resultado.
  • Tratamento da depreciação: Após a reavaliação, o novo valor justo torna-se a base para futuras depreciações, utilizando a vida útil remanescente estimada (IAS 16.43). A depreciação acumulada pode ser eliminada contra o valor bruto do ativo.
  • Divulgação obrigatória: A entidade deve divulgar a data da reavaliação, se foi realizada por perito independente, o método de mensuração do valor justo, movimentações do Excedente de Reavaliação, e o impacto no resultado (IAS 16.77).

IAS 16 Contabilização do Modelo de Reavaliação — Exemplo Prático

Suponha que a Empresa X adquire uma máquina industrial por €500.000 em 1º de janeiro de 20X1, com vida útil de 10 anos, sem valor residual. Adota o modelo de reavaliação.

A 31 de dezembro de 20X1 (após 1 ano de uso):

  • Depreciação acumulada (custo): €50.000
  • Valor contábil líquido: €450.000
  • Avaliação externa: valor justo = €490.000

A máquina foi reavaliada com ganho de €40.000 (€490.000 − €450.000):

ContaDébito (€)Crédito (€)
Máquina Industrial (bruto)40.000
Excedente de Reavaliação (OCI)40.000

Balanço em 31.12.20X1:

  • Máquina Industrial (bruto): €540.000
  • Depreciação acumulada: €50.000
  • Valor contábil líquido: €490.000
  • Excedente de Reavaliação: €40.000
A 31 de dezembro de 20X2:
  • Nova avaliação: valor justo = €420.000
  • Valor contábil atual: €440.000 (€490.000 − €50.000 de depreciação anual)
  • Perda de reavaliação: €20.000

Como existe saldo positivo no Excedente de Reavaliação de €40.000, a perda reduz esse saldo:

ContaDébito (€)Crédito (€)
Excedente de Reavaliação (OCI)20.000
Máquina Industrial20.000

Após o ajuste, o Excedente de Reavaliação reduz-se para €20.000, e nenhuma perda é reconhecida no resultado.

IAS 16 Contabilização do Modelo de Reavaliação — Armadilhas Comuns

  • Inconsistência de frequência: Aplicar reavaliações irregulares (ex.: bienais ou quando o mercado sobe) viola IAS 16.31. As reavaliações devem ser suficientemente frequentes para evitar desvios materiais. Auditores frequentemente identificam essa fraqueza em ambientes inflacionários.
  • Confusão entre ganhos reversíveis e irreversíveis: Muitos contadores registam ganhos de reavaliação completamente no resultado, negligenciando que apenas a reversão de perdas anteriores (para o mesmo ativo) entra no P&L (IAS 16.40). Ganhos acumulados devem ficar no OCI, criando volatilidade incorreta.
  • Não eliminar depreciação acumulada após reavaliação: Alguns sistemas mantêm tanto o valor bruto reavaliado como a depreciação acumulada antiga, distorcendo análises. A prática apropriada é ou eliminar a depreciação acumulada contra o bruto (com ajuste zero no resultado), ou reclassificar, garantindo que o valor contábil líquido reflete o novo valor justo (IAS 16.43).

Parágrafos essenciais a conhecer

  • IAS 16.29: Eleição entre modelo do custo e modelo de reavaliação, por classe de PP&E.
  • IAS 16.31: Frequência de reavaliações e definição de valor justo.
  • IAS 16.39 a 16.40: Reconhecimento de ganhos no OCI e perdas no resultado, com reversões.
  • IAS 16.43: Tratamento da depreciação após reavaliação.
  • IAS 16.77: Divulgações obrigatórias, incluindo métodos de avaliação e movimentações do Excedente de Reavaliação.
  • IFRS 13.1 a 13.6: Estrutura de fair value measurement (referência cruzada para mensuração do valor justo).

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