IFRS 16 Contabilização de Subarrendamentos

Updated 4 July 2026 · Reviewed by IFRS Buddy Editorial Team

Como são contabilizadas as sublocações sob a IFRS 16?

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IFRS 16 Contabilização de Subarrendamentos — Regra Fundamental

O arrendador numa sublocação classifica o subarrendamento como uma locação operacional ou financeira com base no direito de uso do ativo subjacente (e não no ativo original), e o arrendatário reconhece tanto um passivo de locação como um ativo de direito de uso derivado da locação primária (IFRS 16.15, IFRS 16.B34-B35).

Como Funciona IFRS 16 Contabilização de Subarrendamentos

  • Classificação da sublocação (perspectiva do subarrendador): O subarrendador classifica a sublocação aplicando os critérios de IFRS 16.61-66, avaliando se a sublocação transfere substancialmente todos os riscos e benefícios associados ao direito de uso (não o ativo subjacente original). Se sim, é uma locação financeira; caso contrário, operacional (IFRS 16.B34).
  • Reconhecimento inicial do arrendatário-subarrendador: O arrendatário reconhece o passivo de locação da locação primária e o ativo de direito de uso conforme IFRS 16.22-24. Não há qualquer "offset" entre a locação primária e a sublocação. Ambas são contabilizadas separadamente (IFRS 16.15, IAS 8.10).
  • Mensuração do passivo de sublocação: O arrendatário-subarrendador mensura o passivo da sublocação pelo valor presente dos pagamentos futuros de sublocação (IFRS 16.26), utilizando a taxa de juro implícita na sublocação, ou, se não for prontamente determinável, a taxa incremental de financiamento do arrendatário (IFRS 16.26-27).
  • Apresentação no balanço: O arrendatário apresenta um ativo de direito de uso relacionado à locação primária (sob "Propriedade, Planta e Equipamento" ou similar) e um passivo de locação. A sublocação gera uma receita (se operacional) ou reconhecimento de ganho/perda no resultado (se financeira). O subarrendador apresenta um ativo de locação financeira ou um ativo operacional conforme a classificação (IFRS 16.47-49, IFRS 16.B35).
  • Depreciação e amortização: O ativo de direito de uso da locação primária é depreciado pelo período mais curto entre a vida útil da locação primária e a vida útil do ativo. Se houver sublocação financeira, o ativo de direito de uso é reduzido pela receita de juros não realizada (IFRS 16.36-37, IFRS 16.B35).
  • Divulgações: O arrendatário-subarrendador divulga, em separado, informações sobre as locações primária e de sublocação, incluindo o tipo de ativo subjacente, o prazo remanescente, restrições e contingências (IFRS 16.88-89).

IFRS 16 Contabilização de Subarrendamentos — Exemplo Prático

Uma empresa A assina uma locação primária de edifício por 10 anos, com pagamentos mensais de €10.000. Imediatamente, subarrenda 60% do espaço a uma empresa B por 8 anos, com pagamentos de €6.000/mês. A taxa incremental de financiamento de A é 5% a.a.

Locação primária (empresa A como arrendatária)

Valor presente dos pagamentos (10 anos, €10.000/mês, 5% a.a.) ≈ €943.560

ContaDébitoCrédito
Ativo de Direito de Uso943.560
Passivo de Locação – corrente113.640
Passivo de Locação – não corrente829.920

Sublocação (empresa A como subarrendadora)

Valor presente dos pagamentos (8 anos, €6.000/mês, 5% a.a.) ≈ €452.088

Classificação: Locação Operacional (transição gradual, risco de obsolescência retém A)

Reconhecimento da sublocação:

ContaDébitoCrédito
Ativo de Direito de Uso – Locação Primária452.088
Receita de Sublocação452.088

Mensalmente:

ContaDébitoCrédito
Caixa6.000
Receita de Sublocação (ou Aluguel)6.000

Impacto líquido: A empresa A tem um ativo de direito de uso de €943.560 (locação primária) reduzido por depreciação e um passivo de €829.920 (não corrente). A sublocação gera uma receita de €6.000/mês que compensa parcialmente os custos da locação primária.

IFRS 16 Contabilização de Subarrendamentos — Armadilhas Comuns

  • Confundir a classificação: Muitos profissionais classificam a sublocação com base no ativo original (edifício) em vez do direito de uso. Isto é incorreto. IFRS 16.B34 é claro: a classificação deve basear-se apenas na transferência de riscos e benefícios do direito de uso (IFRS 16.61-66).
  • Offset incorreto: A tentação de compensar o passivo da locação primária com a receita da sublocação no balanço é proibida. Ambas devem ser apresentadas separadamente, a menos que exista uma obrigação legal de compensação (IAS 32.42).
  • Negligência na depreciação: O ativo de direito de uso da locação primária continua a ser depreciado pela vida útil da locação primária (não da sublocação). Se a sublocação terminar antes, o ativo mantém o seu saldo contabilístico até ao final da locação primária, potencialmente criando um ativo "resídual" significativo (IFRS 16.36-37).

IFRS 16 Contabilização de Subarrendamentos — Parágrafos Chave

  • IFRS 16.15: Definição de sublocação e tratamento contabilístico geral.
  • IFRS 16.B34-B35: Classificação da sublocação baseada no direito de uso.
  • IFRS 16.26-27: Mensuração inicial do passivo de locação.
  • IFRS 16.36-37: Depreciação do ativo de direito de uso.
  • IFRS 16.61-66: Critérios de classificação entre locação operacional e financeira.
  • IFRS 16.88-89: Divulgações específicas para subarrendadores.

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