IAS 36 Regras de Reversão de Imparidade

Updated 4 July 2026 · Reviewed by IFRS Buddy Editorial Team

Quando uma perda por redução ao valor recuperável pode ser revertida sob IAS 36?

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IAS 36 Regras de Reversão de Imparidade — Regra Fundamental

Uma perda por redução ao valor recuperável (imparidade) pode ser revertida quando existem indicadores de que as circunstâncias que originaram a perda deixaram de existir e o valor recuperável do ativo aumentou desde o reconhecimento inicial da perda (IAS 36.110).

Como Funciona IAS 36 Regras de Reversão de Imparidade

  • Indicadores de reversão obrigatória: Devem ser avaliados a cada data de reporte. Exemplos incluem mudanças significativas no ambiente tecnológico, legal ou de mercado; aumento nas taxas de desconto utilizadas ou melhoria nas estimativas de fluxos de caixa futuros (IAS 36.109). A reversão é obrigatória quando indicadores positivos surgem, não discricionária.
  • Limite máximo da reversão: O valor contábil do ativo após reversão não pode exceder o que teria sido se nenhuma perda por imparidade tivesse sido reconhecida, após deduzir depreciação/amortização normal (IAS 36.117). Este é o "teto de reversão" crucial que muitos profissionais negligenciam.
  • Exclusão crítica – Goodwill: Ao contrário de outros ativos, perdas por imparidade de goodwill NUNCA podem ser revertidas, mesmo que as circunstâncias melhorem significativamente (IAS 36.125). Esta é a regra mais importante e frequentemente testada em exames.
  • Apresentação e classificação: A reversão é reconhecida como ganho no resultado do período, na mesma linha de resultado onde a perda original foi reconhecida (p.ex., se foi no resultado operacional, a reversão segue o mesmo caminho) (IAS 36.121). Reversões de ativos reavaliados afetam o ajuste de reavaliação em ORA (IAS 36.122).
  • Nível de unidade geradora de caixa (UGC): Se a perda foi alocada a uma UGC, a reversão deve ser alocada proporcionalmente aos ativos da UGC, exceto goodwill (IAS 36.118). Nenhum ativo individual pode ser revertido por mais do que teria sido se nenhuma perda fosse reconhecida.
  • Documentação da reversão: A entidade deve documentar os indicadores positivos que justificam a reversão e demonstrar que o novo valor recuperável foi adequadamente mensurado (teste de valor justo ou cálculo de valor de uso) (IAS 36.134).

IAS 36 Regras de Reversão de Imparidade — Exemplo Prático

Uma empresa industrial reconheceu uma perda por imparidade de €500.000 em maquinaria em 31 de dezembro de 20X3. O valor contábil bruto era €2.000.000 (depreciação acumulada €1.000.000 antes da perda), e o valor contábil líquido pré-imparidade era €1.000.000.

Situação em 31 de dezembro de 20X4

  • Novos pedidos de clientes aumentaram 40% (indicador positivo)
  • Valor recuperável recalculado: €750.000
  • Valor contábil pré-reversão (após depreciação de um ano): €450.000
  • Depreciação anual estimada: €50.000

Cálculo da reversão máxima permitida

  • Valor que teria sem imparidade: €1.000.000 – €50.000 depreciação = €950.000
  • Valor contábil pré-reversão: €450.000
  • Reversão possível: €950.000 – €450.000 = €500.000
  • Mas o ativo não pode ter valor > €750.000 (novo valor recuperável)
  • Reversão efetiva: €750.000 – €450.000 = €300.000
ContaDébito (€)Crédito (€)
Maquinaria300.000
Ganho por reversão de imparidade300.000
*Reconhecimento da reversão parcial*

Impacto no balanço: Maquinaria sobe de €450.000 para €750.000; resultado melhora em €300.000.

IAS 36 Regras de Reversão de Imparidade — Armadilhas Comuns

  • Reversão acima do teto: Reconhecer reversão de €500.000 quando o máximo permitido era €300.000 (baseado no valor que existiria sem imparidade anterior). Auditores frequentemente testam este limite; é uma fonte comum de ajustes.
  • Tentativa de reverter goodwill: Goodwill é absolutamente blindado contra reversão. Mesmo se uma UGC recupera completamente seu desempenho, goodwill previamente registado como perda não pode ser restaurado. Esta regra é testada em praticamente todos os exames IFRS.
  • Confundir valor justo com valor de uso: A reversão deve basear-se no valor recuperável (máximo entre valor justo menos custos de venda e valor de uso), não apenas em métricas operacionais. Se o valor justo subiu mas o fluxo de caixa descontado não, a reversão pode ser limitada.

Parágrafos-chave para consultar

  • IAS 36.110: Define que reversão é permitida quando indicadores de reversão surgem
  • IAS 36.117: Estabelece o limite máximo de reversão (valor que existiria sem perda anterior)
  • IAS 36.118: Alocação da reversão em nível de UGC
  • IAS 36.121: Tratamento contábil (ganho no resultado)
  • IAS 36.125: Proibição absoluta de reversão de goodwill
  • IAS 36.134: Divulgações obrigatórias sobre reversões

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